"Conceder a palavra às crianças não significa fazer-lhes perguntas e fazer com que responda aquela criança que levantou a mão em primeiro lugar [...]. Conceder a palavra às crianças significa, pelo contrário, dar a elas as condições de se expressarem."
(TONUCCI, 2005).

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Oficina de leitura lúdica

Para quem teve a oportunidade de participar dessa oficina de leitura lúdica, facilitada por Rossana Henz, jamais vai esquecer a riqueza de suas técnicas, mas acima de tudo da magia vivida nas contações de histórias. Adultos-crianças e Crianças-adultos se deleitaram, aprenderam e descobriram/redescobriram a arte de ouvir e contar histórias.






























































Estamos a superar o “desvalor” da educação infantil ?


Infelizmente há uma inversão perversa em relação a valorização às etapas da educação escolar. Nesse sentido, quanto mais inicial a etapa escolar, menos valorizada ela é. Essa constatação se sustenta sob vários aspectos. Dentre eles é possível destacar a questão da formação e remuneração profissional. No caso da educação infantil, seus professores são os que menos recebem e os que têm os menores índices de qualificação (RIBEIRO, 2012). Isso sem falar nas conquistas em termos das políticas públicas, como é o caso da incorporação da educação infantil a educação básica, que se deu através da Lei de Diretrizes e Bases 9.394/96.
É claro que é inegável os importantes avanços que valorizaram a educação infantil ocorridos nos últimos 20 anos, mas mesmo os considerando, ainda as marcas de um “desvalor” são visíveis. Possivelmente esse “desvalor” que trava o reconhecimento pleno da educação infantil, esteja também relacionado com a própria história da infância no mundo ocidental (ARIES, 1981). Isso, por sua vez, nos faz questionar o lugar que a criança ocupa na sociedade e algumas perguntas se fazem relevantes: Qual o valor que a criança assume na nossa sociedade? Como ela é vista? O que se espera dela?
É possível que alguns até digam que essa realidade do “desvalor” já foi ultrapassada e para sustentar tal afirmativa, apresentem dados relativos aos massivos investimentos feitos na educação infantil e o avalanche de recursos financeiros e tecno-pedagógicos empreendidos. Entretanto, se olharmos atentamente para ver o que acontece com as nossas crianças teremos uma triste surpresa. Elas (as crianças) estão sendo tratadas como investimentos, como recursos a produzirem bons desempenhos. As crianças, nos parece, estão sendo cobradas, no contexto da educação infantil, a responderem como alunos eficientes e, para tanto, os modelos neotecnicistas alinhados a biotecnologia, fazem delas verdadeiros adultos em miniaturas.
Um dado revelador é o uso indiscriminado do metilfenidato (mais conhecida em sua nomenclatura comercial como ritalina). De acordo com o Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos – IDUM, em 2000 foram vendidas 71 mil caixas do metilfenidato e em 2008 esse número chegou a 1.147.000, representando um aumento de 1.616% e em 2010 esse número chegou a mais de 2 milhões (LERNER, 2014).
Como sabemos que esse medicamento é, majoritariamente, recomendado a crianças com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiper Atividade – TDAH, há um exagero não condizente com a média mundial de pessoas com TDAH. Portanto, os dados do consumo mostram que muitas das nossas crianças estão sendo medicalizadas para ter um comportamento obediente em sala de aula. Além disso, os modelos neotecnicistas que já chegaram a educação infantil tem deixado as crianças verdadeiras treiners de vestibulares, do Enem e de concursos públicos. Isso tudo sem falar nos treinos e induções relativos as habilidades sócio afetivas.
Onde está o lúdico? Onde está o direito ao brincar? A escolarizar hegemonicamente a educação infantil não estaríamos negando a especificidade da infância? O que a medicalização das crianças nos revela? Que concepção de infância escondem os modelos neotecniscitas? Estamos a superar o “desvalor” da educação infantil ?
Referência
ARIÉS, Philippe. História Social da Criança e da Família. Rio de Janeiro: LTC Editora, 1981.
MEIRA, Marisa Eugênia Melillo. Para uma crítica da medicalização na educação. Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, SP. Volume 16, Número 1, Janeiro/Junho de 2012: 135-142
RIBEIRO, Marcelo Silva de Souza. Les routines et leurs ajustements dans la pratique educative de l’enseignante d’éducation enfantine. Thèse du Doctorat en Education. Université du Québec à Montréal – UQAM, Montréal, 2013.
Prof. do Colegiado de Psicologia - Universidade Federal do Vale do São Francisco - UNIVASF

Este texto foi originalmente publicado em :
http://www.pensaraeducacaoempauta.com/#!marcelo-02-9-16/gbkdk

domingo, 7 de agosto de 2016

Os ideais democráticos e a educação infantil


Marcelo Ribeiro
Não há nada mais absurdo para não dizer hipócrita do que a ideia de uma educação que não seja de uma ordem política. A grande questão é de que tipo de política estamos falando ou ensejando na educação. Basicamente, em posições antagônicas, vamos encontrar, pelo menos nos modelos mais típicos, uma política autoritária versus uma política democrática.

A primeira tem característica totalizadora, com relações de poder rigidamente assimétricas e desejosa por corpos dóceis e sujeitos autômatos, como abordado criticamente por Michel Foucault e pelos estudiosos da escola de Frankfurt.

A política democrática, que não é isenta de problemas, se configura pela pluralidade e liberdade de expressão, pela ideia de sujeito de direito e tem, como base, o princípio do diálogo.

Dessa forma, a política, em seu sentido lato é forjadora de sujeitos, pois organiza e medeia as relações, criando condições para um modus operandi social. Seja em seu modelo típico autoritário ou democrático, teremos sujeitos impactados pela ordem política em todo o seu processo histórico-desenvolvimental.

Partindo do princípio que educar é antes de tudo uma tomada de posição, um assumir a perspectiva em relação ao humano e ao mundo, a ordem política sempre será uma condição sine qua non dos processos educativos. Educar é uma ordem política, portanto, mesmo quando não se queira assumir essa ordem.

John Dewey foi um dos pensadores que assumiu radicalmente essa ordem (política) na educação, sobretudo em relação aos processos escolares. Para Dewey, a educação deveria estar voltada para formação de uma sociedade democrática (obviamente por assumir essa posição), assim como esta (a sociedade) sustentaria espaços escolares para o desenvolvimento de valores e práticas democráticas.

Acertadamente as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil, compreende a criança como sujeito histórico e de direitos, construindo sua identidade individual e social, vivendo a ludicidade e produzindo sentidos. Sendo assim, essa criança, ativa em seus processos, está inserida uma instituição da educação infantil (seja creche ou a pré-escola) que, ao assumir valores, práticas, atitudes e mediar tudo isso em suas ações sociais-pedagógicas, está, indubitavelmente, na ordem de uma política.

No que se refere aos ideais democráticos, sobretudo a valorização das diferenças, a autonomia, a participação e o diálogo como base das relações humanas, estes precisam ser trabalhados, vigorosamente, desde a educação infantil. É certo que a educação por si não garantirá uma mudança social, de uma perceptiva autoritária para uma democrática, mas sem a contribuição da educação, as mudanças ficariam muito mais comprometidas. E a educação infantil, no que diz respeito a sua ordem política (democrática) é fundamental para garantir a formação das crianças em suas especificidades, mas também em suas potencialidades enquanto novas gerações de adultos.

Por fim, perguntas devem ser lançadas a todos para que possamos manter vivo o entendimento de que educar é um ato político. Além disso, certamente, a ordem democrática precisa ser garantida desde a educação infantil. Sendo assim: que sociedade queremos? Que humanos desejamos? Que tipo de educação infantil iremos disponibilizar para as nossas crianças? Uma educação de ordem política autoritária ou democrática?

Obs. Este texto é dedicado a Rita Coelho, recentemente exonerada da função de Coordenadora Geral de Educação Infantil do MEC. Eis uma defensora da ordem democrática na educação infantil.

Publicado em http://www.pensaraeducacaoempauta.com/#!blank-276/n0e5p

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Exploração do trabalho infantil: responsabilidade da sociedade e do estado


Uma importante discussão que a sociedade, como um todo, deve se apropriar é o que se refere a questão da exploração do trabalho infantil. Atualmente, cerca de 4,8 milhões de crianças e adolescentes, entre 5 e 17 anos, estão trabalhando no Brasil, segundo dados do PNAD (2007). Desse total, 1,2 milhão estão na faixa entre 5 e 13 anos. Apesar das políticas públicas como o  Peti (Programa de Erradicação ao Trabalho Infantil) e os programas de transferências de renda, que tem ajudado a diminuir esses dados, esta é ainda uma chaga nacional, sobretudo nas regiões norte e Nordeste.

Na recente audiência pública promovida pela Prefeitura Municipal de Petrolina, através da Secretaria de Cidadania, no dia 13 de junho de 2016, foi discutido um importante aspecto dessa temática, que é a necessária responsabilização da sociedade. Isto significa dizer que não bastaria a efetivação de uma lei que busque combater a exploração do trabalho infantil se a sociedade se mantém tolerante e mesmo insensível à exploração. Enquanto as pessoas não se indignarem com a exploração do trabalho infantil muito dificilmente o país superará esse desafio. Nesse sentido, abordar a questão da exploração do trabalho infantil é também uma intervenção sobre os aspectos psicossociais (preconceito, representação, percepção social, etc.). 

A audiência pública foi louvável justamente porque possibilitou esse tipo de confrontação reflexiva. Entretanto, não bastaria, pelo menos no meu pensar, desenvolver o sentido de responsabilização da sociedade (diga-se, das próprias pessoas) sem o comprometimento do estado.  Este (estado brasileiro) ainda falha muito no que diz respeito a garantia de direitos, sobretudo em relação ao direito de uma infância com dignidade para todas as crianças. 

Não adotar esse entendimento crítico, ou seja, de que não basta a sociedade desenvolver um sentido de responsabilização sem que o estado   faça a sua parte e seja cobrado por isso, é deveras preocupante pois acarreta um posicionamento individualista, e porque não dizer, neoliberal.
O problema da exploração do trabalho infantil no Brasil passa pela necessária responsabilização da sociedade, mas também pelo não menos importante fortalecimento dos dispositivos do estado que, em outras palavras, significa criar e oferecer condições para que não haja contextos de exploração, além, é claro, dos dispositivos de fiscalização e punição.

Nesta audiência estava na condição de professor convidado representando a Universidade Federal do Vale do São Francisco – Univasf.

Por Marcelo Silva de Souza Ribeiro.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Fotos da oficina de leitura e técnicas teatrais

Sem dúvidas, tem tudo a ver contação de histórias e o teatro. Nessa oficina, Lis e Jessica proporcionaram uma série de técnicas do teatro para o desenvolvimento de habilidades para a contação de história. Entonação de voz, expressões corporais e a entrega na vivência da representação   foram alguns pontos trabalhados nessa oficina.





















terça-feira, 5 de julho de 2016

UM LIVRO INFANTIL PARA CRIANÇAS CACHEADAS E CRESPAS!

Preocupado com o bullying que sofrem as crianças cacheadas e crespas de todo o Brasil, o diretor da empresa brasileira de beleza Yenzah, Rodrigo Goecks escreveu o livro infantil “Cabelo bom é o quê?”.
Quebrando o paradigma de que cabelos crespos e cacheados são sinônimos da expressão “cabelo ruim” que, aliás, sempre incomodou Rodrigo, ele lançou este livro para mostrar às crianças que todo cabelo é bom



“São inúmeros os exemplos de preconceito vivenciados pelas crianças devido a esta expressão, cabelo ruim, que é comum em todo o Brasil. Qual o impacto disso na autoestima das crianças? Criamos a campanha #cabeloboméomeu, com o livro, um vídeo com meninas de várias etnias e a hashtag, na web, para elevar a autoestima das crianças cacheadas e crespas, fortalecendo a relação das crianças com seu cabelo e, consequentemente, com a sua identidade. Estamos muito entusiasmados com o impacto transformador que pequenas ações como essas possuem”, explica Goecks.
A marca ainda produziu um lindo vídeo com meninas recitando o poema do livro.
O livro faz parte das ações de lançamento da série de produtos Sou + Cachos, criada pela Yenzah, com a participação de quatro mil consumidoras, que foram responsáveis pela co-criação da linha. O livro pode ser comprado na loja virtual Casa 18
O livro, ilustrado pela artista Anne Pires, estará disponível on-line para download, para uso pedagógico nas escolas. Trezentos livros serão doados para a Escola Municipal Abelardo Chacrinha Barbosa, na Rocinha. A Yenzah ainda terá preço subsidiado para escolas que queiram usar o material como recurso pedagógico.





Livro infantil “Cabelo bom é o quê?”

De Rodrigo Goecks, com ilustrações de Anne Pires
Coleção “Um dia me falaram”
24 páginas
R$ 15 (site), R$ 5 (preço subsidiado para escolas)

Texto de POR VIVI NAJJAR |ALÉM DA JUBA, extraído  em http://www.jubadeleoa.com.br/alem-da-juba/livro-infantil-cacheadas-crespas/

UM LIVRO INFANTIL PARA CRIANÇAS CACHEADAS E CRESPAS!

Preocupado com o bullying que sofrem as crianças cacheadas e crespas de todo o Brasil, o diretor da empresa brasileira de beleza Yenzah, Rodrigo Goecks escreveu o livro infantil “Cabelo bom é o quê?”.
Quebrando o paradigma de que cabelos crespos e cacheados são sinônimos da expressão “cabelo ruim” que, aliás, sempre incomodou Rodrigo, ele lançou este livro para mostrar às crianças que todo cabelo é bom



“São inúmeros os exemplos de preconceito vivenciados pelas crianças devido a esta expressão, cabelo ruim, que é comum em todo o Brasil. Qual o impacto disso na autoestima das crianças? Criamos a campanha #cabeloboméomeu, com o livro, um vídeo com meninas de várias etnias e a hashtag, na web, para elevar a autoestima das crianças cacheadas e crespas, fortalecendo a relação das crianças com seu cabelo e, consequentemente, com a sua identidade. Estamos muito entusiasmados com o impacto transformador que pequenas ações como essas possuem”, explica Goecks.
A marca ainda produziu um lindo vídeo com meninas recitando o poema do livro.
O livro faz parte das ações de lançamento da série de produtos Sou + Cachos, criada pela Yenzah, com a participação de quatro mil consumidoras, que foram responsáveis pela co-criação da linha. O livro pode ser comprado na loja virtual Casa 18
O livro, ilustrado pela artista Anne Pires, estará disponível on-line para download, para uso pedagógico nas escolas. Trezentos livros serão doados para a Escola Municipal Abelardo Chacrinha Barbosa, na Rocinha. A Yenzah ainda terá preço subsidiado para escolas que queiram usar o material como recurso pedagógico.


Livro infantil “Cabelo bom é o quê?”

De Rodrigo Goecks, com ilustrações de Anne Pires
Coleção “Um dia me falaram”
24 páginas
R$ 15 (site), R$ 5 (preço subsidiado para escolas)

Texto de POR VIVI NAJJAR |ALÉM DA JUBA, extraído  em http://www.jubadeleoa.com.br/alem-da-juba/livro-infantil-cacheadas-crespas/