"Conceder a palavra às crianças não significa fazer-lhes perguntas e fazer com que responda aquela criança que levantou a mão em primeiro lugar [...]. Conceder a palavra às crianças significa, pelo contrário, dar a elas as condições de se expressarem."
(TONUCCI, 2005).

quinta-feira, 3 de março de 2016

Infâncias, demografia e adoção - roda de conversa com o prof. Paulo Pereira

Nesta última segunda-feira (29 de fevereiro de 2016) tivemos a importante presença do professor Dr. Paulo Pereira, que dialogou sobre "Infâncias e Demografia", particularmente a questão da adoção no Brasil.
As discussões foram profícuas e motivaram muitos dos membros do NUPIE a desenvolverem seus estudos nessa área.
O professor Paulo também disponibilizou sua tese, que pode ser acessada aqui: 

Adoção: realidades e desafios para um Brasil do Século XXI



domingo, 28 de fevereiro de 2016

Estatuto da família. Negação de direitos?

Por Thiago Santos

Quando se discute família, uma das primeiras palavras que vem a mente é o amor. Dessa maneira, pensar a união de pessoas por amor seria pensar família. Contudo, nem sempre foi assim. Historicamente, a família passou por diversas modificações, desde casamentos arranjados, casamentos duradouros até a noção de família atual. Dessa maneira, a família e o seu significado sempre foram construídos no avançar do tempo, causando então grandes inquietações como as que vêm surgindo no nosso cenário atual.

Eis então um grande problema. Nos últimos anos, um texto vem rondando os debates políticos e calorosamente minando a definição de família da maneira mais “quadrada” possível, dificultando que as pessoas possam exercer seu direito de amar. Esse texto é o estatuto família, que por si só reafirma a definição de família (já a muito desconsiderada) prevista na constituição de 88. Nesse texto, família é a união exclusiva entre homem e mulher.

Como os leitores desse blog sabem, minha formação é em psicologia, o que me leva a pensar em como fica uma criança ao ter seu direito de ter uma família negada, por ser formada por pessoas do mesmo sexo? Será que a aprovação desse estatuto não é mais uma forma de negar direitos?

Está aí uma questão para se pensar. O que é ter uma família? O que é ter alguém que te ama? E o que é ter direito a família negada por puro preconceito? Essas questões não são para ter respostas, a ideia é propor reflexões.

Fazendo referência ao ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente)  é dito  no capítulo II, artigo 16, parágrafo V que há o direito em “participar da vida familiar e comunitária, sem discriminação”. No capítulo seguinte (terceiro) foi feito um texto todo voltado ao “Direito à Convivência Familiar e Comunitária”.  Dito isso, pergunto novamente a todos o que é ter direito a família negada por puro preconceito? Não sei se existe resposta, mesmo assim mantenho a pergunta.  

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Terreiros da infância

Ocorreu no dia 15 de fevereiro às 18h no CEPPSI (Centro de estudo e prática psicológica- UNIVASF) um encontro com o professor Juracy Marques com o tema Infâncias no Terreiro de Candomblé.

O evento debateu sobre a participação das crianças no Candomblé e como a infância é pensada pelos terreiros. Além disso foi esclarecida as diferenças entre Candomblé e Umbanda, a definição de Orixá (Cabeça/energia) e outras questões ligadas à religião como Alma e espírito. Ao finalizar o evento legou-se algumas inquietações como: Quem é a minha criança? E onde essa criança encontra a espiritualidade?


Diversas sugestões de leitura foram colocadas, dentre elas se destaca a “Ecologia do Corpo” e “Candomblé" e "Umbanda no Sertão”, ambos de autoria do Professor Marques, disponíveis gratuitamente no site www.sabeh.com.br


Segue fotos do evento. 


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Paternidade é direito da criança e empoderamento da mulher

Por Thiago Santos

Na nossa sociedade, a relação entre paternidade e maternidade é estabelecida de modo extremado, pois de um lado há o frágil direito (paternidade) e do outro a obrigatoriedade (maternidade).  Um exemplo do frágil direito é a licença paterna, que em algumas instituições há liberação de apenas 5 (cinco) dias. Do lado da obrigatoriedade, as mulheres tem, em alguns casos até 6 (seis) meses. Este exemplo mostra que os homens, pelo menos na perspectiva legal, não são responsáveis pela criação de seus filhos. O que de fato temos alcançado com isso? Será que os homens não são tão engajados na relação com seus filhos quanto às mulheres?

É claro que esse fenômeno é mais complexo do que imaginamos, mas a construção da sociedade é ainda alicerçada em um modelo patriarcal que legitima a exploração do corpo feminino e impede os homens de lidarem de maneira aberta com seus sentimentos e afetuosa com seus filhos. Vejamos os desenhos infantis antigos, quanto era a presença masculina em comparação a presença feminina? E nas escolas de educação infantil. Quais espaços são ocupados pelos homens? Não seria também função dos homens acompanhar e participar de perto da educação dos filhos? Essas questões inquietam e, mesmo sem respostas, alguns avanços precisam ser apresentados.

Diversos pesquisadores têm mostrado o aumento da participação masculina na criação dos filhos e esse direito tem sido alcançado com muitas lutas e dificuldades. Mas, há ainda muito que conquistar, diversos retrocessos precisam ser vencidos, como os olhares conservadores do estatuto da família que cercam direitos anteriormente alcançados. Além disso, é necessário ampliar e construir os espaços para discussão da paternidade como forma de chamar os homens a essa responsabilidade.

Portanto, a participação masculina na vida dos filhos é um direito e um dos primeiros passos para a transformação de uma sociedade mais justa e igualitária. 

Outros textos:
http://primeirainfancia.org.br/wp-content/uploads/2015/12/RNPI-CECIP_seminario-nacional-2015.pdf

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Queridos amigos.
Está chegando a hora de nosso retorno! No dia 01 de Fevereiro nos encontraremos no CEPPSI para iniciarmos o ano de 2016.
Segue o Cronograma em anexo
Aguardo a todos lá! 


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Pais e Filhos de Ivan Turguêniev - indicação de leitura

Sobre Pais e Filhos (de Ivan Turguêniev) - Um clássico da literatura russa
No início da década de 1860, dois eventos transformaram significativamente a sociedade russa: o fim da servidão e a fundação do movimento “Terra e Liberdade”, organização secreta que lutava contra as autoridades e instituições oficiais. A abordagem desse contexto fez com que Pais e filhos despertasse uma das maiores fendas da história da literatura russa. O termo “niilista” se popularizou e Ivan Turguêniev (1818-1883) foi acusado de ser responsável por atos criminosos cometidos por radicais influenciados por sua obra.
Na trama, o jovem Arkádi Nikolaitch, acompanhado de seu amigo e mentor Bazárov, volta à propriedade de sua família após formar-se na universidade. Bazárov é um personagem singular: despreza qualquer autoridade, é anti-social e se autoproclama um “niilista”.
Link para baixar o livro (domínio público): http://lelivros.website/book/baixar-livro-pais-e-filhos-ivan-turgueniev-em-pdf-epub-e-mobi-ou-ler-online/

domingo, 6 de dezembro de 2015

Pais que brincam dão mais limites aos filhos

Por Marcelo Ribeiro

Contrariando o senso comum, a brincadeira é uma coisa muito séria, pelo menos em termos de importância para o desenvolvimento infantil e para a relação entre pais e filhos. É relativamente convencionado que a brincadeira é uma distração pueril, um passa tempo divertido. Este modo de ver a brincadeira carrega marcas pejorativas à medida que desvaloriza a importância da brincadeira, mas também porque está associada a uma certa construção social de ser criança, de ser pueril, de ser algo infantil, como fossem aspectos inferiores do humano.

Vários estudiosos têm mostrado que a criança e a fase da infância não devem ser vistas como etapas inferiores do desenvolvimento e nem reduzidas à sua condição de simples preparação para a vida adulta. O sociólogo Willian Corsaro, por exemplo, em seu livro Sociologia da Infância, apresenta uma compreensão de que a infância tem uma importância per si. De modo semelhante, estudos clássicos, como os desenvolvidos por Henri Wallon, também demonstram a importância de valorizar a vivência das crianças, suas infâncias, como algo único e complexo no desenvolvimento humano.

É nesse sentido de valorizar a experiência infantil, sobretudo a brincadeira, como algo rico em possibilidades de desenvolvimento e aprendizagem. Outros autores clássicos que ainda inspiram profundamente estudos relacionados a questão do brincar são Vygotsky e Piaget. O primeiro, sustenta a ideia de que ao brincar as crianças ensaiam ações, condutas e pensamentos, consolidando aprendizagens e, consequentemente, desencadeando desenvolvimentos. O segundo, Piaget, contribui, sobretudo, nos estudos relativos ao desenvolvimento moral, que implica noções de regras e limites.

De modo geral, as brincadeiras podem ser de dois tipos: espontâneas, quando não há presença de adultos; e do tipo mediada, quando há presença de adultos e também portando alguma intenção educativa (há ainda a possibilidade da presença de adultos nas brincadeiras, mas sem intenções, pelo menos explícitas, educativas).

Ainda, a natureza da brincadeira demanda regras e limites, mesmo que seja uma “brincadeira inventada” e compartilhada apenas por crianças.

Ao longo dos nossos trabalhos, oriundos de pesquisas e projetos de extensão ou no serviço de orientação à pais, que mantemos na Centro de Práticas e Estudos de Psicologia - Ceppsi, da Universidade Federal do Vale do São Francisco – Univasf, temos constatado que pais que brincam com seus filhos, possibilitam que estes melhor desenvolvam noções de limites. Certamente essa noção de limites é uma via de mão dupla, pois os pais também aprendem a melhor compreender seus filhos.

Indo ao encontro da vasta literatura que trata do assunto é possível correlacionar essa constatação (de que país que brincam com seus filhos têm relações mais afetuosos, respeitosos e, portanto, balizadas por limites) à medida que na brincadeira há necessária condição de estabelecimento de regras e limites. Afinal, brincadeira que não tem regras e limites não tem graça, não é verdade? Outra fundamentação tem a ver com os vínculos que são estabelecidos no momento do brincar, sobretudo quando envolvem pais e filhos. Afinal, o brincar é uma ação carregada de prazer e que cria laços.

O momento da brincadeira, portanto, é uma oportunidade singular para que o processo educativo ocorra de maneira natural, possibilitando, inclusive, uma melhor compreensão dos pais em relação aos seus filhos.

Brincar é coisa séria!


Obras sugeridas:
CORSARO, Willian. Sociologia da Infância. Porto Alegre: Artmed, 2011.
PIAGET, Jean. O Juízo Moral na Criança. São Paulo: Summus, 1994.
PIAGET, Jean. O Julgamento Moral na Criança. São Paulo: Mestre Jou, 1977.
WALLON, Henri. As Origens do Pensamento na Criança, Henri Wallon, São Paulo : Ed. Manole, 1989.
VYGOTSKY, Lev. Formação Social da Mente, SP: Martins Fontes, 2002.