"Conceder a palavra às crianças não significa fazer-lhes perguntas e fazer com que responda aquela criança que levantou a mão em primeiro lugar [...]. Conceder a palavra às crianças significa, pelo contrário, dar a elas as condições de se expressarem."
(TONUCCI, 2005).

sábado, 25 de agosto de 2018

Seguindo a leva de produções desenvolvidas por membros do NUPIE, temos o prazer de compartilhar  o artigo de Maria Iracema de Sousa Araújo  "O cuidar e o brincar na promoção de saúde mental em contexto escolar",  fruto do trabalho da Residência Multiprofissional em Saúde Mental (Univasf).


Resumo 
Assumindo o tema “infância, ludicidade e saúde” como fundador de sua problemática, este estudo objetivou compreender como as relações do cuidar e do brincar promovem saúde mental na perspectiva das crianças em uma escola municipal baiana. Participaram seis crianças do nível fundamental, de ambos os sexos, entre seis e sete anos. A multirreferencialidade metodológica foi adotada para a construção de conhecimento, sobretudo o enfoque fenomenológico e a inspiração etnográfica, além dos dispositivos de observação participante, entrevistas informais e atividades lúdicas. Os resultados, via as técnicas de triangulação e redução fenomenológica, apontaram para distanciamento dos responsáveis da escola, relação do vínculo e cuidado, ambiência como fonte de bem-estar e a importância da brincadeira na sala como espaço de prazer e criatividade. O estudo contribuiu para discussões na área suscitando mais empenho em assumir uma educação com saúde. 

Acesse artigo na íntegra:

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Nota de repúdio a LeiMunicipal de Petrolina, nº 3.012/2018

Núcleo de Estudos e Práticas sobre Infâncias e Educação Infantil
http://nucleonupie.blogspot.com.br

Nota de repúdio a LeiMunicipal de 
Petrolina, nº 3.012/2018

O Núcleo de Estudos e Práticas sobre Infâncias e Educação Infantil (NUPIE), da Universidade Federal do Vale do São Francisco  (Univasf), torna público sua nota de repúdio a LeiMunicipal de Petrolina, nº 3.012/2018, de autoria do vereador Rodrigo Teixeira Araújo (PSC), que proíbe o acesso de jovens menores de 18 anos em exposições de obras e espetáculos que contenham nudez, conteúdo devasso, libidinoso ou imoral, ainda que com a autorização dos pais.

O NUPIE, que vem trabalhando na perspectiva da criança como sujeito de direito, inclusive na valorização da família por vínculos saudáveis, compreende que essa Lei é totalmente descabida por três principais razões:
1)   O próprio Estatuto da Criança e do Adolescente já garante a proteção quanto as explorações e sujeições em contextos que maculem a integridade (há leis que já estabelecem limites de idades para certas programações);
2)   A inconsistente Lei fere com o direito dos pais avaliarem o que é pertinente para seus filhos – isto é gravíssimo do ponto de vista do direito da família;
3)   Por fim, a deplorável Lei é essencialmente moral porque fala em termos de “conteúdo devasso, libidinoso ou imoral” . Isto coloca a situação em um patamar subjetivo e sob avaliação de um sensor que ninguém sabe quem é. 

Os possíveis desdobramentos dessa Lei são nefastos, mesmo que tenha um suposto verniz de proteção a infância e a adolescência. Indica, assim, um moralismo medievo, um retrocesso não só do ponto de vista das políticas voltadas a infância, a adolescência e família, como também um golpe a arte e ao estado de direito.

NUPIE lamenta profundamente que os legisladores municipais (pelo menos alguns), numa repetição ignorante (outros municípios brasileiros fizeram algo parecido sob a hipócrita bandeira “da moral e dos bons costumes”), gastem tempo e recursos públicos com coisas dessa natureza, numa desproporcional falta de sentido, afinal todo esse empreendimento poderia estar voltado para potencializar as artes, a educação e mesmo dar dignidade as crianças e adolescentes, inclusive aquelas que vivem nas ruas.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

terça-feira, 3 de abril de 2018

Entrevista sobre o Serviço para Pais



"Pais e cuidadores de crianças e adolescentes podem se deparar diariamente com diversas situações que exigem uma solução rápida e sábia, mas nem sempre sabem como lidar com os conflitos. Para auxiliar na convivência familiar, o Centro de Estudo e Práticas em Psicologia da Universidade Federal do Vale do São Francisco oferece um serviço de orientação para esse público".


A psicóloga Melina Pereira, da UNIVASF / CEPPSI e coordenadora do NUPIE, fala sobre o serviço para pais em uma entrevista dada a TV CAATINGA.


Assista a entrevista : Entrevista sobre o Serviço para Pais

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Cuidado, Autoridade e Comunicação nas Relações Parentais





Josefa Eugênia Tenório Tavares
(Estagiária de Psicologia - Univasf)


Uma questão que pode causar dúvidas entre os cuidadores na educação das crianças e adolescentes é como conciliar autoridade e cuidado, em outros termos seria saber como estabelecer uma relação adequando limites e carinho.
A compreensão mais comum (muitas vezes inconsciente) é de que para garantir uma boa educação seria preciso impor regras e, autoritariamente, mantê-las. É como se os educadores não entendessem a necessidade de explicar os sentidos das regras, fazendo que sejam apenas cumpridas, mesmo através da força.
Por outro lado, alguns cuidadores confundem cuidado com o agradar a criança não estabelecendo limites. Importante ressaltar que estabelecer limites está relacionado com a responsabilização na educação da criança ou adolescente e também com o cuidado. O estabelecer limites de modo dialogado é uma forma de cuidado e ajuda a criança a desenvolver responsabilidades.
Assim, o sentido de autoridade é muitas vezes incompreendido por cuidadores, como manter uma relação de respeito, estabelecendo limites e ao mesmo tempo dialogada e carinhosa.
É importante que exista uma relação de respeito mútuo, na qual a autoridade não é imposta, mas compreendida como cuidado. Algo que pode ser considerado como crucial para possibilitar uma relação de respeito é a existência de qualidade na comunicação entre cuidadores e crianças/adolescentes.
Em uma comunicação de qualidade, um aspecto favorável é o estabelecimento da relação entre a necessidade de limites e o cuidado. Ou seja, é propício para a comunicação esclarecer motivações, necessidades e consequências das atitudes, bem como o diálogo e a busca da compreensão dos sentimentos envolvidos.
Dessa forma, o famoso “por que?”, tão comum entre as crianças e os adolescentes, por exemplo, requer, sim, atenção e esclarecimento, em vez de uma simples resposta “porque eu mando”.

Portanto, é preciso que os cuidadores conciliem cuidado e autoridade, carinho e limites, sobretudo via uma comunicação com qualidade. Por fim, é válido lembrar que autoridade não deve visar simplesmente o controle, mas deve ser entendida como um princípio educativo, de maneira carinhosa e com limites, dando espaço para a expressão da criança ou adolescente como forma de cuidado.