"Conceder a palavra às crianças não significa fazer-lhes perguntas e fazer com que responda aquela criança que levantou a mão em primeiro lugar [...]. Conceder a palavra às crianças significa, pelo contrário, dar a elas as condições de se expressarem."
(TONUCCI, 2005).
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sábado, 22 de novembro de 2025

Infâncias: viver o presente, cuidar do futuro


Imagem criado no Chat GPT a partir do próprio texto



Marcelo Silva de Souza Ribeiro 

 


Sabe, quando a gente pensa na infância, às vezes esquece de algo muito básico: as crianças têm direito a um bem viver junto da natureza. Direito de brincar na beira do rio, de sentir a areia do mar, de correr nos campos, de explorar a mata, de respirar um ar puro… direito de crescer em um ambiente seguro e preservado. Parece simples, mas o mundo que estamos deixando para elas é, infelizmente, um mundo mais poluído e mais pobre em biodiversidade.

 

E aqui vale uma lembrança importante: quando falamos em “meio ambiente”, não é como se o ambiente estivesse de um lado e nós, humanos, de outro. Não. Como bem disse o psicólogo alagoano Afonso Henrique Lisboa da Fonseca, “o ambiente somos nós”. Ou seja, não há separação: cuidar da natureza é cuidar da gente – e, sobretudo, das crianças.

 

A partir daí, quero lançar uma pergunta que parece óbvia, mas não é: por que a infância é importante? Na teoria, todo mundo responde rápido: "porque é a fase em que tudo começa, a aurora da vida, o início da humanidade em cada pessoa". Mas, na prática, nem sempre tratamos a infância com esse cuidado todo. Muitas vezes a vemos apenas como uma preparação para o futuro, como se a criança só tivesse valor pelo adulto que vai se tornar. Isso até é verdade em parte, afinal, toda criança carrega em si esse “vir a ser”. Contudo, a criança como fase singular do desenvolvimento humano e a experiência da infância não se reduzem a esse “vir a ser”.  A criança, enquanto sujeito localizado em um tempo espaço, assim como a experiência da infância, têm valores em si mesmas, pelo que é vivido agora.


E aqui é bom lembrar: não existe uma infância, mas várias infâncias. Cada criança vive sua infância em determinado contexto, com condições muito diferentes. Há aquelas que podem brincar livremente, ter seus direitos respeitados, mas também há as infâncias negadas ou roubadas – de crianças expostas à violência, à vulnerabilidade, às privações que impedem que elas vivam plenamente aquilo que lhes seria de direito.

 

Outro ponto que costuma aparecer é a visão da infância como fragilidade. Claro, pensar assim tem seu lado importante, porque justifica a necessidade de proteção e fortalece políticas públicas de garantia de direitos. Mas não podemos esquecer o outro lado: a infância também é potência. É fortaleza. Só as crianças, vivendo suas infâncias, têm a capacidade de ver o mundo de um jeito tão singular. A cognição infantil é única: a forma como percebem, lembram, se concentram e criam contraria muitas vezes as visões mais tradicionais do desenvolvimento humano.

 

E aí chegamos ao que talvez seja o mais essencial: o que é realmente importante para a infância?

 

Poderíamos então resumir dizendo que importa a relação das crianças com os seus pares; importa a segurança, mas na medida certa, sem sufocar; importa o amor gratuito, sem trocas ou condicionantes; importa mais exemplo, porque a criança aprende muito mais pelo que vê do que pelo que ouve; e importa o brincar, incluindo o brincar na natureza.

 

E isso tudo, por sua vez, nos leva ao coração do debate: o direito de viver a infância. Direitos que vão desde a família, a educação, a moradia, até o brincar – esse brincar que não é luxo, mas fundamento do desenvolvimento humano.


Lembro de uma pesquisa em que crianças foram ouvidas sobre seus direitos. Elas não falaram de nada muito abstrato. Falaram de casa, de comida, de brincar. Coisas concretas, que revelam como o essencial é também o mais óbvio.


E nesse contexto cabe trazer também a ideia de vínculo como algum essencial, fundante mesmo. John Bowlby falava disso a partir das separações, mas hoje podemos ampliar: o vínculo se constrói no cuidado diário, no afeto das pequenas ações, na segurança oferecida pela presença atenta.

 

E tudo isso abre espaço para outra discussão: que a ver com a autonomia. O que é autonomia na infância? É ter a chance de experimentar, de errar, de tentar de novo, de aprender a se virar sem cair no assistencialismo, mas também com a possiblidade de aprender a partir de escolhas controladas, de um contexto que a possibilite refletir e ponderar consequências de suas ações. 


É o equilíbrio entre a proteção necessária e a liberdade de descobrir. A autonomia se constrói em um contexto democrático onde, longe da permissividade e igualmente distante do autoritarismo, a criança é considerada como parceria de diálogo e por isso se desenvolve aprende pondo a ser responsável e com maior sensibilidade social.


No fundo, é isso que precisamos garantir: que cada criança possa viver a sua infância, em toda a sua potência, em todos os seus direitos, sem que lhe seja roubada essa fase que é única e insubstituível.

sábado, 5 de junho de 2021

Artigo que discute a questão do cuidado com professoras de educação infantil

O artigo publicado pela Revista Eccos, “Pesquisa-Formação: Diários Reflexivos Sobre os Cuidados com Professoras da Educação Infantil”, de Clara Maria Miranda de Sousa e Marcelo Silva de Souza Ribeiro, analisa os diários reflexivos de professoras da Educação Infantil, compreendendo as formas de vivenciar o cuidado em suas práticas pedagógicas a partir do processo formativo vivenciado. Baseiado na compreensão de cuidado fundamentada em Heidegger (2005) e Boff (1999), articula diálogos sobre formação, saberes docentes e reflexão, conduzidos por Gadamer (2002), Josso (2007) e Freire (2015). O método utilizado foi a pesquisa-formação de cunho fenomenológico hermenêutico “heideggeriano”. A pesquisa foi realizada em escola da rede pública municipal de Juazeiro - BA, envolvendo treze profissionais. Como dispositivos de colheita de informações foram utilizados: diário de observação, diários reflexivos escritos pelos participantes, roteiros dos encontros formativos e os processos avaliativos. Para este artigo, debruçamo-nos na análise dos diários reflexivos de dois encontros (quarto e quinto encontro) do total de cinco realizados. As análises dos diários foram guiadas pela Analítica do Sentido de Critelli (1996), baseada na perspectiva hermenêutica de Heidegger. As unidades de sentido foram descritas como: a identidade docente e o cuidar, a reflexão da prática docente que contribui para melhor cuidar e formação no sentido de cuidar das professoras da Educação Infantil (EI). A vivência da pesquisa-formação em cuidado, com essas educadoras, mostrou-se um lugar de convivência harmoniosa, de interação, de reflexão da prática, de abertura a si e ao outro, de maneira a favorecer ainda mais a qualidade nas ações educativas, levando a beneficiar toda comunidade escolar.

ACESSE O ARTIGO AQUI 

terça-feira, 12 de maio de 2020

Dissertação: INFÂNCIA FEMININA: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SOBRE CORPO


Disponibilizamos a belíssima dissertação de Theodora Mendes, que abordou a questão da "Representação social do corpo de meninas"... Ela concluiu o mestrado de Psioclogia da Univasf.... t

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Artigo sobre práticas parentais





Artigo de Emily Ribeiro e  Melina Pereira, integrantes do NUPIE, é publicado na Revista Psicologia e Pesquisa.


RESUMO:
Este estudo considera a criança como ser social e produtor de cultura. Apesar do adultocentrismo ainda existente, mudanças recentes nas relações intrafamiliares contribuíram para a crescente participação da criança nos processos decisórios da família. Assim, investigou-se como as crianças
entendiam, avaliavam e lidavam com as práticas educativas, e suas estratégias de negociação. Dezesseis crianças, de 7 a 10 anos, participaram desta pesquisa qualitativa, que contou com entrevistas individuais semiestruturadas, grupos focais e posterior análise de conteúdo. A maioria afirmou já ter feito escolhas no contexto familiar e se sentiram satisfeitos com isso. Picos de autoritarismo, permissividade e inconsistências entre as figuras parentais foram percebidos pelos infantes. Dessa forma, o estudo fornece subsídios para avançar na qualidade das relações parentais

Lei o artigo na íntegra:


A criança em foco - convers... by on Scribd

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

PESQUISA-FORMAÇÃO COM GESTORES ESCOLARES DA REDE PÚBLICA DE ENSINO A PARTIR DE UMA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Nesta dissertação, Vanessa Duarte nos provoca fundamentais discussões e nos lega caminhos possíveis para dar conta de lacunas sobre a formação do gestor escolar no que diz respeito a educacão inclusiva. Vanessa , que caminha na pesquisa-formação, é uma nupiana combatente pela causa da inclusão. 
Uma obra, um presente!

DISSERTAÇÃO - CRIANÇAS NOS TERREIROS DE CANDOMBLÉ DO SERTÃO - ROBSON MARQUES



Esta extraordinária dissertação é antes de mais nada uma reverência ao ser criança e aos saberes tradicionais, sobretudo dos povos de terreiro. Robson é uma dos nossos nupianos embaixadores.

Confira, leitor, a beleza que essa obra traz.



quinta-feira, 8 de novembro de 2018

PROCESSOS FORMATIVOS DE PROFESSORAS DA EDUCAÇÃO INFANTIL: RESSIGNIFICANDO O PLANEJAMENTO PEDAGÓGICO NO CONTEXTO DE UMA PESQUISA-FORMAÇÃO



Nesta obra, Iolanda Barreto de Santana, mestra do PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO FORMAÇÃO DE PROFESSORES E PRÁTICAS INTERDISCIPLINARES - PPGFPPI - UPE, via uma metodologia da pesquisa-formação aborda os saberes docentes num processo de ressignificação do planejamento pedagógica.



DISSERTAÇÃO - Relações familiares e experiências de adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto em um CREAS no sertão de Pernambuco

DISSERTAÇÃO 

Relações familiares e experiências de adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto em um CREAS no sertão de Pernambuco

Nesse estudo, Diego Dias Barrense, mestre do Programa de Psicologia da Univasf, investido de uma abordagem bioecológica, analise os contextos de desenvolvimento de adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto. Um trabalho significativo para o NUPIE.


DISSERTAÇÃO - CUIDADO EM EDUCAÇÃO: os sentidos da experiência no contexto de Pesquisa- Formação com professoras da Educação Infantil


DISSERTAÇÃO

CUIDADO EM EDUCAÇÃO: os sentidos da experiência no contexto de Pesquisa-
Formação com professoras da Educação Infantil

Trata-se de uma importante e representativa dissertação, de mais um membro do NUPIE, que versa sobre o cuidado e a pesquisa-formação. Clara Maria Miranda de Sousa, mestra pelo PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU FORMAÇÃO DE PROFESSORES E PRÁTICAS INTERDISCIPLINARES
(PPGFPPI / UPE), nos presenteia com essa obra inspiradora.


sábado, 25 de agosto de 2018

Seguindo a leva de produções desenvolvidas por membros do NUPIE, temos o prazer de compartilhar  o artigo de Maria Iracema de Sousa Araújo  "O cuidar e o brincar na promoção de saúde mental em contexto escolar",  fruto do trabalho da Residência Multiprofissional em Saúde Mental (Univasf).


Resumo 
Assumindo o tema “infância, ludicidade e saúde” como fundador de sua problemática, este estudo objetivou compreender como as relações do cuidar e do brincar promovem saúde mental na perspectiva das crianças em uma escola municipal baiana. Participaram seis crianças do nível fundamental, de ambos os sexos, entre seis e sete anos. A multirreferencialidade metodológica foi adotada para a construção de conhecimento, sobretudo o enfoque fenomenológico e a inspiração etnográfica, além dos dispositivos de observação participante, entrevistas informais e atividades lúdicas. Os resultados, via as técnicas de triangulação e redução fenomenológica, apontaram para distanciamento dos responsáveis da escola, relação do vínculo e cuidado, ambiência como fonte de bem-estar e a importância da brincadeira na sala como espaço de prazer e criatividade. O estudo contribuiu para discussões na área suscitando mais empenho em assumir uma educação com saúde. 

Acesse artigo na íntegra:

segunda-feira, 30 de abril de 2018

DISSERTAÇÃO - ADOLESCÊNCIA E VIOLÊNCIA VIRTUAL: estudo de experiências com o Cyberbullying


 ADOLESCÊNCIA E VIOLÊNCIA VIRTUAL: estudo de experiências com o Cyberbullying 

Liberalina Santos de Souza Gondim 

Pós-Graduação em Psicologia – PPGPSI da Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF