"Conceder a palavra às crianças não significa fazer-lhes perguntas e fazer com que responda aquela criança que levantou a mão em primeiro lugar [...]. Conceder a palavra às crianças significa, pelo contrário, dar a elas as condições de se expressarem."
(TONUCCI, 2005).

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Oficina de Contação de Histórias




 No dia 3 de junho ocorreu a 1ª Oficina de Contação de Histórias, promovida pelo projeto “Erê - Vamos Brincar? Oficinas Lúdicas de Leituras e Outras Linguagens”, na Sala Azul, do campus Centro da Univasf (Petrolina-PE). Esta oficina foi facilitada pela professora Janedalva Gondim e estudantes do Colegiado de Artes Visuais e objetivou apresentar várias técnicas de contação de história, além de aspectos teóricos sobre o tema. A participação do público, em sua maioria professores da rede de ensino e estudantes de pedagogia e psicologia, foi efusiva e certamente proveitosa do ponto de vista da formação.
Que venham as próximas oficinas!





Lição das crianças: não ser ingênuo, mas não perder a inocência



   
Certa vez ouvi de um amigo gaúcho que não nos era mais permitido ser ingênuos no mundo, mas isso não significaria perder a inocência em nossos corações. Desde então tenho notado o quanto isto tem a ver com o jeito das crianças serem e a importância dos adultos estarem abertos para aprender com elas.  
A pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Virgínia Kastrup (1999; 2000), que vem pesquisando a temática“cognição e subjetividade”, toma a criança como fonte inspiradora para investigar os processos cognitivos. Dentre os múltiplos recortes de sua profícua obra é possível, mesmo que de modo simplório, dizer que a criança não tem uma cognição ou uma subjetividade inferior ao adulto ou menos evoluída. Ao contrário. Sob certos aspectos a criança apresenta sensibilidade, sagacidade e poder criativo superior ao modo dos adultos serem. Quem nunca ficou, por exemplo, estupefato com uma sacada da criança? Quem não já presenciou a criança descobrir um objeto rapidinho depois dos adultos gastarem um tempão a procurar? Ou mesmo quando os adultos levam a criança para um espaço qualquer, como um restaurante, e em questões de minutos ela já contatou outras crianças presentes no ambientes como se tivesse “antenas”? Essas são apenas situações que servem para exemplificar o refinamento das crianças em termos de sua percepção, atenção, raciocínio, etc.  
Tomando como base o pensamento bergsoniano sobre o tempo, Kastrup nos ajuda a compreender o jeito de ser da criança (a autora toma a criança como fonte inspiradora, mas seus trabalhos vão também em outras direções), quando sublinha que a experiência do tempo, enquanto tempo vivido, é mais marcante do que a experiência do tempo cronológico (mais característico da forma adulta de ser). É característico da experiência da criança viver o tempo a partir do que sente no “aqui e agora” e não em termos de uma organização sistemática temporal e distal.  
Importante observar que não há aqui um ovacionamento do tempo vivido em detrimento do tempo cronológico. Ambos são necessários para a vida e constituem o desenvolvimento humano. Entretanto, o que se quer marcar é a singularidade do jeito de ser da criança em termos de sua cognição e subjetividade, sem ser mais ou menos do que o adulto. Ademais, compreender essa singularidade possibilita tomar algumas lições desse jeito de ser da criança.  
Dentre essas possibilidades destaca-se a capacidade da criança manter sua inocência mesmo não sendo ingênua. “Não ser ingênua” significa que a criança tem funções cognitivas aguçadas e é capaz de perceber, sentir e avaliar situações muito mais do que o senso comum supõe, pelo menos é o que a Psicologia do Desenvolvimento vem apontando. 
Um dos desdobramentos de não ser ingênua e manter inocência tem a ver com a capacidade de resiliência das crianças em termos de enfrentamento de situações problemas, de superar mágoas, de não perder a capacidade de brincar e sorrir e manter a incrível capacidade de aprender (obviamente que estamos nos referindo a cenários típicos de desenvolvimento e que sob certas condições extremas a criança também sucumbe e expressa comprometimentos no desenvolvimento). 
Em tempos temerosos como estes que vivemos é importante aprender com as crianças a não ser ingênuo e manter a inocência, ou seja, estar atento aos acontecimentos, lutar pelos direitos sociais perdidos e ameaçados, pelo estado de direito e pela república em declínio, mas acima de tudo não perder a capacidade de sorrir para vida, guardar a inocência no coração! 


Referência 
KASTRUP, Virgínia. O Devir-Criança e a Cognição Contemporânea. Psicologia: Reflexão e Critica, 2000, 13(3), pp.373-382. 
KASTRUP, Virgínia. A invenção de si e do mundo. Uma introdução do tempo e do coletivo no estudo da cognição. Campinas, SP: Papirus, 1999.

Publicado originalmente em https://www.pensaraeducacaoempauta.com/licao-das-criancas-nao-ser-ingenuo-?utm_campaign=dff3e31113-EMAIL_CAMPAIGN_2017_06_14&utm_medium=email&utm_source=PEPB%2B-%2BM&utm_term=0_51535e4216-dff3e31113-298627885

sábado, 27 de maio de 2017

Livro Pais e filhos

Pais e Filhos (de Ivan Turguêniev)

Este livro ficou bem conhecido por causa da ideia de niilismo, que fora trabalhada pelo autor. Esta ideia teve grande repercussão... mas a potência desse livro também reside na temática clássica do conflito de gerações, sobretudo entre pais e filhos. O livro é uma obra prima e que retrata o conflito de gerações (pais e filhos) inseridos em contextos de grande mudanças sociais. Dá até para pensar em uma correlação: grandes conflitos geracionais estariam também inseridos em momentos históricos de profundas mudanças?
De todo jeito considero uma leitura indispensável.

Filmes, docs, e vídeos relacionados a infância

Vídeos sobre infância 





Indicação de alguns filmes com a temática relacionada à Infância:

* Repense o Elogio



Um excelente documentário para tod@s que se interessem sobre a questão de gênero, étnica...no processo educativo de crianças... O documentário aborda o poder do elogio quando dado de amenizar genérica e cristalizada, reforçando padrões e modelos, o que termina por contribuir com a reprodução de uma sociedade machista, racista... O documentário aponta para a possibilidade de micro revoluções à medida de que podemos romper com essas reproduções em nossos contextos relacionais.

* Tarja Branca




A partir dos depoimentos de adultos de gerações, origens e profissões diferentes, o documentário discorre sobre a pluralidade do ato de brincar, e como o homem pode se relacionar com a criança que mora dentro dele. Por meio de reflexões, o filme mostra as diferentes formas de como a brincadeira, ação tão primordial à natureza humana, pode estar interligada com o comportamento do homem contemporâneo e seu "espírito lúdico".


* Território do brincar




O longa tem como propósito sustentar uma narrativa do brincar infantil. Ao longo de vinte e um meses, diversas crianças e seus trejeitos, das variadas realidades do Brasil, foram representadas. O filme faz parte de um projeto de pesquisa, registro e divulgação.


* Muito além do peso




Hoje em dia, um terço das crianças brasileiras está acima do peso. Esta é a primeira geração a apresentar doenças antes restritas aos adultos, como depressão, diabetes e problemas cardiovasculares. Este documentário estuda o caso da obesidade infantil principalmente no território nacional, mas também nos outros países no mundo, entrevistando pais, representantes das escolas, membros do governo e responsáveis pela publicidade de alimentos.


* A Menina no País das Maravilhas






Phoebe é uma menina rejeitada pelos seus colegas de classe, que deseja mais do que tudo participar da peça de teatro da escola, "Alice no País das Maravilhas". Com o estress do dia-a-dia, o comportamento de Phoebe piora cada vez mais, criando uma forte pressão em seus pais. Ambos tentam compreender e ajudar a filha, mas Phoebe se esconde em suas fantasias, confundindo realidade com sonho. A menina terá que encarar um duro processo, passando por uma incrível transformação.

* A culpa é do Fidel




Anna de la Mesa (Nina Kervel-Bey) tem 9 anos, mora em Paris e leva uma vida regrada e tranquila, dividida entre a escola católica e o entorno familiar. O ano é 1970 e a prisão e morte do seu tio espanhol, um comunista convicto, balança a família. Ao voltar de uma viagem ao Chile, logo após a eleição de Salvador Allende, os pais de Anna estão diferentes e a vida familiar muda por completo: engajamento político, mudança para um apartamento menor, trocas constantes de babás, visitas inesperadas de amigos estranhos e barbudos. Assustada com essa nova realidade, Anna resiste à sua maneira. Aos poucos, porém, realiza uma nova compreensão do mundo.

* O Pequeno Nicolau



Nicolau leva uma vida tranquila, sendo amado por seus pais e com diversos amigos, com os quais se diverte um bocado. Um dia ele surpreende uma conversa entre os pais, a qual faz com que acredite que sua mãe está grávida. Ele logo entra em pânico, pois acredita que assim que o bebê nascer ele não mais receberá atenção e será abandonado na floresta, assim como ocorre nas histórias do pequeno Poucet, de Perrault.

* A Cor do Paraíso



A Cor do Paraíso narra a comovente história de Mohammad, um menino cego que mora numa escola para deficientes visuais e que, nas férias, volta para seu vilarejo nas montanhas, onde convive com as irmãs e sua adorada avó. O pai, que é viúvo, se prepara para casar novamente. Mohammad é um garoto muito vivo, que tem uma enorme sensibilidade. Seu jeito simples de "ver o mundo" é uma lição de vida. Dirigido por Majid Majidi, o mesmo do consagrado Filhos do Paraíso.

* Filhos do Paraíso





Ali é um menino de 9 anos proveniente de uma família humilde e que vive com seus pais e sua irmã, Zahra. Um dia ele perde o único par de sapatos da irmã e, tentando evitar a bronca dos pais, passa a dividir seu próprio par de sapatos com ela, com ambos revezando-o. Enquanto isso, Ali treina para obter uma boa colocação em uma corrida que será realizada, pois precisa da quantia dada como prêmio para comprar um novo par de sapatos para a irmã.

Projeto Erê

O projeto “Erê - Vamos brincar? Oficinas Lúdicas de Leituras” é um desdobramento da primeira versão, chamada “ERÊ – Vamos brincar? Brinquedoteca itinerante e Oficinas Lúdicas” que abordou diretamente a temática do lúdico e  ludicidade.

Neste atual projeto, há um aprofundamento em relação a necessidade de criar espaços onde a dimensão lúdica seja contemplada para oportunizar formações aos profissionais da educação, a formação de pais e, sobretudo, para as vivências das infâncias por parte das crianças.

No que diz respeito a leitura é no contexto do Núcleo de Estudos e Práticas sobre Infâncias e Educação Infantil – (NUPIE / UNIVASF), considerando as atividades já desenvolvidas, que o presente projeto ganha conectividade com os outros projetos. Assim, o projeto ERÊ é reeditado com o foco na integração  da leitura e da brincadeira,  valorizando  a  cultura  lúdica  e  a  perspectiva  das  crianças,  via  também os saberes daqueles que já lidam ou pretendem lidar diretamente com elas, em cursos e oficinas voltados para professores, profissionais  da  educação,  da  saúde  e  para  os  pais.  

A  partir  desse  quadro,  o  projeto  busca  o desenvolvimento de saberes e práticas sobre infâncias e educação infantil na dimensão da cultura, da história, das relações interpessoais, dos instrumentos de aprendizagem e do desenvolvimento humano.  O objetivo, portanto, deste projeto se constitui na criação de oficinas lúdicas de leituras para pais, estudantes e profissionais e a  criação  de  espaços  lúdicos de leituras para as crianças.

Assim, “Erê - Vamos brincar? Oficinas Lúdicas de Leituras” prevê o engajamento de estudantes de diferentes graduações, prevê estudos atuais sobre a indissociabilidade do brincar-cuidar-educar, além de estudos culturais e históricos no que diz respeito ao lugar que a criança vem ocupando em nossa sociedade. De modo semelhante, propõe uma  valorização  da  experiência  das  crianças  a  respeito  de  suas  próprias  vivencias  e  o desenvolvimento de saberes e práticas por aqueles que lidam diretamente com estas, sobretudo referente a leitura e a contação de histórias.


Orientados pela transdisciplinaridade ações de extensão são propostas junto a cenários de práticas locais.  Por  fim,  o  Projeto  também  prevê  momentos  de  análise  e  socialização  das  diversas experiências, estudos aprofundados sobre infância e educação infantil.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Semana do Bebê - Juazeiro 2017

A Univasf mais uma vez foi parceira da Semana do Bebê no município de Juazeiro tendo à frente profissionais e estudantes do Nupie. 
Oficinas de yoga, palestras sobre educacão positiva, ludicidade e psicomotricidade foram abordados na Semana do Bebê pelo membros do Nupie.