"Conceder a palavra às crianças não significa fazer-lhes perguntas e fazer com que responda aquela criança que levantou a mão em primeiro lugar [...]. Conceder a palavra às crianças significa, pelo contrário, dar a elas as condições de se expressarem."
(TONUCCI, 2005).

sábado, 27 de maio de 2017

Livro Pais e filhos

Pais e Filhos (de Ivan Turguêniev)

Este livro ficou bem conhecido por causa da ideia de niilismo, que fora trabalhada pelo autor. Esta ideia teve grande repercussão... mas a potência desse livro também reside na temática clássica do conflito de gerações, sobretudo entre pais e filhos. O livro é uma obra prima e que retrata o conflito de gerações (pais e filhos) inseridos em contextos de grande mudanças sociais. Dá até para pensar em uma correlação: grandes conflitos geracionais estariam também inseridos em momentos históricos de profundas mudanças?
De todo jeito considero uma leitura indispensável.

Filmes, docs, e vídeos relacionados a infância

Vídeos sobre infância 





Indicação de alguns filmes com a temática relacionada à Infância:

* Repense o Elogio



Um excelente documentário para tod@s que se interessem sobre a questão de gênero, étnica...no processo educativo de crianças... O documentário aborda o poder do elogio quando dado de amenizar genérica e cristalizada, reforçando padrões e modelos, o que termina por contribuir com a reprodução de uma sociedade machista, racista... O documentário aponta para a possibilidade de micro revoluções à medida de que podemos romper com essas reproduções em nossos contextos relacionais.

* Tarja Branca




A partir dos depoimentos de adultos de gerações, origens e profissões diferentes, o documentário discorre sobre a pluralidade do ato de brincar, e como o homem pode se relacionar com a criança que mora dentro dele. Por meio de reflexões, o filme mostra as diferentes formas de como a brincadeira, ação tão primordial à natureza humana, pode estar interligada com o comportamento do homem contemporâneo e seu "espírito lúdico".


* Território do brincar




O longa tem como propósito sustentar uma narrativa do brincar infantil. Ao longo de vinte e um meses, diversas crianças e seus trejeitos, das variadas realidades do Brasil, foram representadas. O filme faz parte de um projeto de pesquisa, registro e divulgação.


* Muito além do peso




Hoje em dia, um terço das crianças brasileiras está acima do peso. Esta é a primeira geração a apresentar doenças antes restritas aos adultos, como depressão, diabetes e problemas cardiovasculares. Este documentário estuda o caso da obesidade infantil principalmente no território nacional, mas também nos outros países no mundo, entrevistando pais, representantes das escolas, membros do governo e responsáveis pela publicidade de alimentos.


* A Menina no País das Maravilhas






Phoebe é uma menina rejeitada pelos seus colegas de classe, que deseja mais do que tudo participar da peça de teatro da escola, "Alice no País das Maravilhas". Com o estress do dia-a-dia, o comportamento de Phoebe piora cada vez mais, criando uma forte pressão em seus pais. Ambos tentam compreender e ajudar a filha, mas Phoebe se esconde em suas fantasias, confundindo realidade com sonho. A menina terá que encarar um duro processo, passando por uma incrível transformação.

* A culpa é do Fidel




Anna de la Mesa (Nina Kervel-Bey) tem 9 anos, mora em Paris e leva uma vida regrada e tranquila, dividida entre a escola católica e o entorno familiar. O ano é 1970 e a prisão e morte do seu tio espanhol, um comunista convicto, balança a família. Ao voltar de uma viagem ao Chile, logo após a eleição de Salvador Allende, os pais de Anna estão diferentes e a vida familiar muda por completo: engajamento político, mudança para um apartamento menor, trocas constantes de babás, visitas inesperadas de amigos estranhos e barbudos. Assustada com essa nova realidade, Anna resiste à sua maneira. Aos poucos, porém, realiza uma nova compreensão do mundo.

* O Pequeno Nicolau



Nicolau leva uma vida tranquila, sendo amado por seus pais e com diversos amigos, com os quais se diverte um bocado. Um dia ele surpreende uma conversa entre os pais, a qual faz com que acredite que sua mãe está grávida. Ele logo entra em pânico, pois acredita que assim que o bebê nascer ele não mais receberá atenção e será abandonado na floresta, assim como ocorre nas histórias do pequeno Poucet, de Perrault.

* A Cor do Paraíso



A Cor do Paraíso narra a comovente história de Mohammad, um menino cego que mora numa escola para deficientes visuais e que, nas férias, volta para seu vilarejo nas montanhas, onde convive com as irmãs e sua adorada avó. O pai, que é viúvo, se prepara para casar novamente. Mohammad é um garoto muito vivo, que tem uma enorme sensibilidade. Seu jeito simples de "ver o mundo" é uma lição de vida. Dirigido por Majid Majidi, o mesmo do consagrado Filhos do Paraíso.

* Filhos do Paraíso





Ali é um menino de 9 anos proveniente de uma família humilde e que vive com seus pais e sua irmã, Zahra. Um dia ele perde o único par de sapatos da irmã e, tentando evitar a bronca dos pais, passa a dividir seu próprio par de sapatos com ela, com ambos revezando-o. Enquanto isso, Ali treina para obter uma boa colocação em uma corrida que será realizada, pois precisa da quantia dada como prêmio para comprar um novo par de sapatos para a irmã.

Projeto Erê

O projeto “Erê - Vamos brincar? Oficinas Lúdicas de Leituras” é um desdobramento da primeira versão, chamada “ERÊ – Vamos brincar? Brinquedoteca itinerante e Oficinas Lúdicas” que abordou diretamente a temática do lúdico e  ludicidade.

Neste atual projeto, há um aprofundamento em relação a necessidade de criar espaços onde a dimensão lúdica seja contemplada para oportunizar formações aos profissionais da educação, a formação de pais e, sobretudo, para as vivências das infâncias por parte das crianças.

No que diz respeito a leitura é no contexto do Núcleo de Estudos e Práticas sobre Infâncias e Educação Infantil – (NUPIE / UNIVASF), considerando as atividades já desenvolvidas, que o presente projeto ganha conectividade com os outros projetos. Assim, o projeto ERÊ é reeditado com o foco na integração  da leitura e da brincadeira,  valorizando  a  cultura  lúdica  e  a  perspectiva  das  crianças,  via  também os saberes daqueles que já lidam ou pretendem lidar diretamente com elas, em cursos e oficinas voltados para professores, profissionais  da  educação,  da  saúde  e  para  os  pais.  

A  partir  desse  quadro,  o  projeto  busca  o desenvolvimento de saberes e práticas sobre infâncias e educação infantil na dimensão da cultura, da história, das relações interpessoais, dos instrumentos de aprendizagem e do desenvolvimento humano.  O objetivo, portanto, deste projeto se constitui na criação de oficinas lúdicas de leituras para pais, estudantes e profissionais e a  criação  de  espaços  lúdicos de leituras para as crianças.

Assim, “Erê - Vamos brincar? Oficinas Lúdicas de Leituras” prevê o engajamento de estudantes de diferentes graduações, prevê estudos atuais sobre a indissociabilidade do brincar-cuidar-educar, além de estudos culturais e históricos no que diz respeito ao lugar que a criança vem ocupando em nossa sociedade. De modo semelhante, propõe uma  valorização  da  experiência  das  crianças  a  respeito  de  suas  próprias  vivencias  e  o desenvolvimento de saberes e práticas por aqueles que lidam diretamente com estas, sobretudo referente a leitura e a contação de histórias.


Orientados pela transdisciplinaridade ações de extensão são propostas junto a cenários de práticas locais.  Por  fim,  o  Projeto  também  prevê  momentos  de  análise  e  socialização  das  diversas experiências, estudos aprofundados sobre infância e educação infantil.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Semana do Bebê - Juazeiro 2017

A Univasf mais uma vez foi parceira da Semana do Bebê no município de Juazeiro tendo à frente profissionais e estudantes do Nupie. 
Oficinas de yoga, palestras sobre educacão positiva, ludicidade e psicomotricidade foram abordados na Semana do Bebê pelo membros do Nupie.




segunda-feira, 10 de abril de 2017

Permissividade e autoritarismo: marcas de um tempo


Por Marcelo S. de Souza Ribeiro

Nota-se uma curiosa e aparente contradição no atual estado das sociedades globalizadas, que aqui chamaremos marcas de permissividade e de autoritarismo. Estas marcas do tempo atual, apesar de se situarem em polos divergentes, se integram no modo como as relações de consumo e produção se dão, além, certamente, nos modos de subjetivação e objetivação das relações humanas, particularmente nos processos educativos, sobretudo nas relações pais e filhos. 

 

Vivemos sob a égide de um intenso consumismo, onde o “ser” se confunde com o “ter”, de modo que precisamos “ter”, permanentemente coisas, para nos sentirmos e sermos vistos como seres. Além disso, como já tão bem explorado por Bauman (2003), vivemos um “mundo líquido”, que, dentre suas características, a descartabilidade das coisas alimenta a renovação constante de novos consumos. Assim, a lógica do produzir para consumir e do consumir para produzir (SANTOS, 2005) apregoa a máxima que devemos soltar as nossas voracidades, nos permitir e “devorar” o máximo da vida. Eis aí a permissividade de um ponto de vista, digamos, social. 

 

De outro modo também vivemos um mundo onde o endividamento e o insucesso vivido na lógica do produzir para consumir e do consumir para produzir é atribuído ao indivíduo. “Sua culpa, sua máxima culpa!”. A culpabilização por não poder viver o máximo da permissividade consumista e o rigor de exigência atribuído ao indivíduo, aliado ao caminho estreito e reto dessa lógica, caracterizam a marca autoritária do nosso tempo. Assim, somos autoritariamente condenados pelos inevitáveis fracassos por não alcançarmos a impossível tarefa da vida permissiva ao mesmo tempo em que somos pressionados a não vivermos de modo alternativo, rompendo com essa lógica, sob o risco de sermos execrados. Eis aqui o lado autoritário. 

 

Saindo de uma perspectiva mais social para uma individual, ou melhor, intersubjetiva, digamos assim, as relações pais e filhos trazem também essa aparente contradição.  

 

Em minhas experiências, seja como professor, pesquisador ou supervisor de estágio (sobretudo na clínica - escola onde atuamos), observo o quanto o estilo parental da permissividade e do autoritarismo aparecem com significativa frequência e de modo integrado. Percebo que, via de regra, os pais e ou cuidadores estabelecem relações com seus filhos e ou crianças que são cuidadas num estilo de permissividade, mas também tendo momentos autoritários. É como se fosse, mais ou menos, assim: por várias razões esses pais e ou cuidadores permitem que a criança defina, ilimitadamente, suas vontades e, em um dado momento, como por falta de paciência, age autoritariamente, com violência física às vezes, para depois voltar a ceder e reentrar no padrão permissivo. 

 

Essa aparente contradição da permissividade e do autoritarismo seriam modos de ser e de estar da humanidade que se apresentam via a chamada do duplo vínculo (BATESON e RUESCH, 1965). Para Bateson, esse duplo vínculo leva a uma espécie de neurotização e/ou esquizofrenização do humano justamente porque lida com duas mensagens opostas. Nesse caso, pelo menos para o sujeito que vive o duplo vínculo, a contradição existe dramaticamente.  

 

Seja pela via da neurotização ou da esquizofrenicação, parece haver indícios de manifestação de comportamentos compulsivos e depressivos: quando não paramos de querer e de consumir, e não encontramos satisfação, associado com baixa tolerância a frustração; quando não sabemos adiar a satisfação dos nossos anseios e vivemos a intolerância para com o diferente; ou quando não sabemos viver de um outro jeito e não aguentamos a nos deparar com tudo aquilo que ameace o nosso santo jeito de ser.  

 

Além disso, essas marcas da permissividade e do autoritarismo, como faces de uma mesma moeda, têm em comum a não possibilitação da autonomia do sujeito. Seja porque na permissividade não há limites ou porque no autoritarismo o sujeito não exercita o direto de ser ele mesmo (sobre isso é interessante ver Yves de LaTaille (1992), que aborda a questão da cognição e democracia). 

 

Mesmo não sendo objeto, para discorrer nesse texto, esses possíveis indícios apontam para a problemática de uma vida onde marcas contraditórias se dão de modo integrado levando o ser humano, em sua dimensão social e individual, a colapsar sua existência. 

 

Referências 

BATESON, Gregory; RUESCH, Jurgen. Comunicacion: la matriz social de la psiquiatria. Buenos Aires: Paidos, 1965. 

 

BAUMAN, Z. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2003. 

 

LA TAILLE, Yves de. O desenvolvimento do juízo moral e afetividade na teoria de Jean Piaget. Em: La Taille, Yves de; Oliveira de, M. K. e Dantas, H.. Piaget, Vygotsky e Wallon. Teorias Psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus, 1992. 

 

SANTOS, Boaventura de Sousa (Org.).Produzir para viver: os caminhos da produçãonão capitalista. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, Brasil, 2005. 



https://www.pensaraeducacaoempauta.com/permissividade-e-autoritarismo-perm

sábado, 8 de abril de 2017

Publicado livro que aborda a questão da violência sexual

Publicado livro que aborda a questão da violência sexual a partir de uma perspectiva da criança. 

https://www.pipoefifi.com.br

terça-feira, 21 de março de 2017

A atual onda neotecnicista da educação



Marcelo Silva de Souza Ribeiro
A onda neotecnicista que avassala a educação brasileira parte de alguns posicionamentos básicos que, em um primeiro momento podem até fazer sentido do ponto de vista prático, mas esconde limitações também práticas, interesses ideológicos e econômicos (embora se posicione em uma perspectiva de combate à ideologização da educação), além de não problematizar as questões da educação, tratando-a de forma simplificadora e a-histórica.

Essa onda neotecnicista descarta a importância do nível de escolaridade e a experiência do professor, questiona a necessidade de reduzir a quantidade de estudantes por sala, tripudia os teóricos da educação como Paulo Freire e coloca toda a questão da eficácia do ensino em algumas técnicas como atividades complementares, repetições e explicações sobre o conteúdo.

Certamente todos esses pontos podem ou não estar presentes na qualidade do fazer docente, justamente porque a educação é da dimensão da complexidade e cada situação deve ser analisada de modo relativo e levando em considerações os contextos.

No caso da experiência e escolaridade do professor, se não estiver voltada para os interesses da educação, o contexto da sala de aula e das intenções pedagógicas, realmente podem ser inócuos. Entretanto, dizer que não há relação entre escolaridade docente e experiência profissional no sentido de poder influenciar positivamente a aprendizagem é outra história.

Tripudiar os teóricos e as teorias que compõe a formação do professor é outra falácia. Uma coisa é quando a formação docente é recheada de teorias dissociadas da prática e livresca, mas isso não significa a sua negação. Na verdade a boa formação teórica fundamenta a prática reflexiva do professor. Muito possivelmente o que precisamos em termos de formação docente não é a negação da teoria (e dos teóricos), mas sua radicalização, sobretudo no que concerne a uma boa formação e articulação com o fazer docente.

As técnicas também são de extrema importância para a boa prática do professor e isso pode e deve ser ensinado aos docentes, mas acreditar que o domínio de técnicas poderá ser suficiente para assegurar a formação e o exercício profissional é, no mínimo, ingenuidade ou tentativa de esconder outros interesses.

O que chama atenção dessa atual onda é justamente saber de onde ecoam seus arautos. Um exemplo interessante é a matéria da Veja (15 de novembro de 2016), escrita por Claudio de Moura Castro, que é, por sua vez, ligado a empresa Positivo. Esses arautos são ligados, direta ou indiretamente, a empresas privadas que inculcam pacotes e receitas para os problemas da educação. Questões que incidem sobre a relativização da importância da qualificação docente como a graduação e a pós graduação, por exemplo, vêm ao encontro da lógica de mercado para o neotrabalhador da educação: não precisa de formação pedagógica, basta o conhecimento sobre o conteúdo e um "banho" de orientações e técnicas de ensino.

Se a onda tecnicista da década de 1970 que assolou o Brasil era uma política do estado ditatorial para o novo enquadramento da sociedade, o atual neotecnicismo é uma reengenharia da educação para colocá-la nas engrenagens das linhas produtivas do mercado globalizado. Se a educação tem seus produtos haverá de ser gestada industrialmente e ser rentável para atrair os investimentos, eis o que há por trás!

Publicado em https://www.pensaraeducacaoempauta.com/a-atual-onda-neotecnicista